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quarta-feira

Vezes

Tem dias que mudo o passo e não quero que ninguém me acompanhe
E é só porque em alguns momentos, não quero dever satisfações a alguém
Tem vezes que permaneço muda e isso não quer dizer que me calarei para sempre
É só que as vezes sinto que preciso fazer as pazes comigo mesma
As vezes eu danço na chuva e as vezes brigo com o céu
Só porque sei que toda vez que eu errar um passo, precisarei mudar a música
Tem dias que odeio o que mais amei, que prefiro fazer o que normalmente eu não faria
Tem vezes que piso propositalmente no meu cadarço, e é só quando sei que flutuei demais e preciso tropeçar
Há momentos em que odeio as fábulas, os romances e desisto de tudo que sempre quis
As vezes brigo com meu lápis por não deslisar sobre o papel, e outras, o repreendo por se mover rápido demais
Em algumas manhãs me chateio por minha redundância e à noite procuro por ela
Em alguns dias, não admiro a beleza a minha volta, não sorrio para cenários nostálgicos, não invejo casais felizes, não me divirto com crianças espertas, não atento para o tempo, a cor do céu ou canto de pássaros
E eu acho que isso não quer dizer que abandonei a vida; apenas me afastei dela
E talvez, seja só porque eu precise entende-la ou pelo menos, me encontrar em meio a ela.


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