Guia

domingo

É possível que eu tente?

Só queria dizer algo. Não sei. Não sei o que, por quê, pra quem. Apenas sei que é algo. Algo engraçado, triste; revolucionário. Uma confissão, talvez. Sinto que meu silêncio faz da minha presença desnecessária. Minha importância deixa de existir. Afinal, o que define minha utilidade? Talvez não sejam apenas essas palavras traidoras. Esses momentos só me sufocam mais, e eu ouço. Desfaço de mim mesma. E devia saber que a ausência de uma certa dose de coerência, pode ser mais pesada de quê fazer dela obrigatória, e eu já nem sei mais. Só continuo a ser incumbente dessas palavras, essas que repito e desminto. Essas com múltiplos sentidos. Meu silêncio que persiste em permanecer, oculta o que sei; tudo aquilo que pareço não entender, não perceber. A minha ciência sobre o que discutem permanece intacta, longe de grandes mudanças. Mas o que pensam vocês? O que meus olhos lhe permitem entender sobre mim? Apenas eles falam, isso é certo. Acredito que não quero bagunçar a mente dos outros com palavras, não quero produzir protótipos de minhas visões absolutas, pois sei que se multiplicarão. Não tenho a pretensão de tocar o mundo, mudar pessoas com minhas estórias felizes ou tristes; só quero mudar a mim mesma.
Esse é meu problema; estar sempre querendo fazer alguma diferença, transformar as coisas, mesmo sem saber como, o quê ou por quê. Queria ser diferente, apenas isso.

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