segunda-feira
Lágrimas de Coruja
Nunca tentei contar a ninguém, para sustentar a esperança de que acabasse mais depressa. Mas agora, me sinto tão vazia e distante, que já nem sei mais o que me é. Eu que me julgava a menina forte por não precisar de ninguém em especial, me revelei a mais covarde por não querer admitir minha dor. Acontece que nunca sei quando ou quem estaria disposto a secar minhas lágrimas, porque nunca disse a ninguém que precisava disso. E certamente, talvez eu não precisasse. Agora é como se eu quisesse. Alguém que acabe com isso, ou pelo menos, que esteja disposto a perder o sono por algum motivo comigo. Porque não me conformo mais em passar o dia fingindo felicidade para acertar com meu travesseiro ao anoitecer, ao menos, não quero fazer isso sozinha. Acho que a noite tem fim mais depressa quando alguém está lá contigo, ou se não termina, as estrelas vêm para nos distrair e consolar, juntos. Só esperava que meus problemas fossem vistos com um pouco mais de importância e que as vezes, só as vezes, alguém notasse o quanto algumas coisas me machucam, mesmo quando nego. Tortura-me bancar a menina sem personalidade, sempre feliz e correta. Aqui coloco um fim a isso, para estar mais em paz com meu coração. Não sei se apenas isso vai cessar minhas lágrimas noturnas, mas por hora, faz-me sentir melhor, o simples fato de contar a verdade sobre o que se passa comigo. Isso me acalma. Sabe, tem certas coisa que eu não sei como dizer.
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