O ser que anseia e se entrega por inteiro
Se derrama, se desfaz, derrete sobre qualquer alma vazia
Afoga todo bom marujo num sorriso derradeiro
E deixa rastros e cores e saudade
Quem no deserto, no vazio do coração e da mente
De todo outro ser comum
Faz florescer uma centelha de qualquer verdade
Qualquer admiração, motivo, pretensão
Ser em que o peito vazio dilata, respira, renasce
E sente sede, sede de se encontrar
Sede do sol nascente, das estrelas dos desejos
Se retrata, dança, deixa a loucura invadir
Quem faz os danos se fecharem, se tornarem caricias
E na noite se afoga em pura melancolia
Num nefasto perdão de si, uma revogação da pena
Declara a liberdade da alma - do outro.
O ser que limpa toda a blasfemia das palavras
Serve de perdão aos prisioneiros de si mesmos
Faz cativar-se o humano moribundo;
Tem dores e medos e duvidas,
Aos poucos é completamente devorado pelo mundo
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