Guia

domingo

Lapsos da realidade

Existem pessoas que estão do meu lado, me dão importância e acreditam em minhas palavras. Elas irradiam, e se parecem com faróis que me guiam para o futuro, quase nunca me perco. Ficam calados quando falo de coisas tristes e estão sempre sorrindo. Sempre que preciso de um sorriso. São pessoas que lutam batalhas e derrubam soldados motivados pelo meu sonho. Desapegam-se de quem são, para olhar através dos meus olhos para o meu futuro. Sabe o quanto isso pode subir à cabeça? Guiar um exército fiel e imutável que vive apenas para o meu bem? Gente que deposita toda a sua fé no que eu acredito sem certeza, e me levanta quando estou de joelhos, para que eu olhe novamente para sol, nascendo pela manhã e me lembre. Me lembre do fardo dos desejos que carrego, quais não permitem que eu descanse por hora. E eu me levanto, cambaleante, quase cega, dando passos largos sem olhar em volta. E eu vou, sem cessar, com um cabresto que me impede de pensar. _ É tudo por uma causa maior. Essas pessoas me deixam mais forte. Mas não dou valor para estas pessoas, não mais. É como se não tivessem uma própria vontade que os mantivesse de pé ao meu lado e a expectativa de que eu consiga aumenta, porque deixa de ser algo para mim, e passa a ser algo para todos eles. E na verdade, não sé uma atitude motivadora. Especiais mesmo, para mim, são aqueles que me fazem esquecer do meu sonho. Como se não fosse tão importante assim, e a qualquer momento eu posso dizer que vou ser um astronauta e na semana seguinte, querer ser um sorveteiro, eles não vão ligar pra isso. Talvez nem me ouvir. Não vão aumentar a pressão que deposito sobre mim mesma, sabem que já é o suficiente. Farão com que eu me foque no presente e nas coisas que alcancei até aqui. Não vão se importar se eu desviar para atalhos, mudar os rumos, arejar a cabeça. Não apoiam sempre, ficam bravos, mal-humorados, chatos. Só sorriem nas horas mais inconvenientes. Me deixam no chão ás vezes, mesmo quando procuro por eles. Talvez por sabedoria, ou talvez por não terem notado minha fraqueza. Pessoas que vão discutir o que é tristeza de verdade, menosprezar minhas dores e criticar minhas alegrias. Me deixarão andar sobre pedras, escalar montanhas e atravessar rios em qualquer direção, enquanto eu respirar. Não vão me impedir de nada, só não me deixarão recuar. Desde que eu não recue, nenhuma escolha é errada, nenhuma direção é perigosa demais. E quer saber o porquê de toda essa indiferença? Porque eles também têm um sonho. Eles sabem o que é lutar por algo, algo que querem fazer sozinhos, para eles mesmos. Então porquê me fariam ser alguém tão obrigado a conseguir? Eles têm a própria vontade e não dependem da minha. E apenas isso, apenas essa busca meio louca por alguma razão, pode qualificar uma amizade de verdade. Eu posso viver para mim, eles podem viver para eles e juntos nós podemos pensar fora desta caixa chamada futuro. Nossos desejos podem se encontrar em algum lugar do mundo, e o que realmente vai importar é o agora. Porque essas pessoas, vão apontar com o olhar, para um tempo calmo e infinito, onde tudo é possível, nenhuma derrota é grande perda e toda vitória é um triunfo, e vou seguir com elas. Com esses bobos, indecisos, implicantes, ciumentos, protetores, que me farão esquecer do meu sonho toda vez que encontrarmos um rio na estrada, uma lua mais atraente ou uma flor colorida e cada vez que pararmos para apreciar o cheiro de chuva ou sentir o calor da manhã, eu vou esquecer, esquecer de tudo. E ir aprendendo ao longo do caminho, que a jornada é mais importante que o objetivo em si, e agora eu desejo que esta jornada seja eterna, apenas para tê-los aqui comigo, me lembrando de esquecer.


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