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sexta-feira

Falso brilhante

Sentimentos intensos neste corpo de garota, sensaçoẽs tão grandes, desejos tão pequenos.
Porque deixam uma alma estrondosa guardada em caixinhas de porcelana?
Ela só precisa de um leve estímulo e a música começa a tocar.
As vezes cansa, às vezes se cansa, dança, cativa, encanta.
Lindamente revela-se num desabrochar único de perfeição.
É melodia, massiva, macia. Um número digno de palmas sem fim.
Tropeça sorrindo, feliz, carente, brilhante.
Lágrimas são segredos de presença revelada ao cair da noite,
cada gota, uma pérola; cada passo, um motivo.
Um leve estímulo e seu olhar transparece, derrama, enlouquece. Sua alma rodopia; cantiga e brisa.
Batidas descompassadas compõem a sinfonia estrelada pela gaiola que guarda seu rancor, grito, amor.
A pose, a posse, o reino.
Numa melodia inventada para própria soberania; largada inalcançável, adorada, desdenhosa; dançante. Salta virtuosa; de que me serve?
Se vai sem olhar para o que deixou, o que a deixou. O que deixamos?
A perfeição diante de cada cor, digna de uma imagem à altura.
Presa, fixa, espelhada. Um falso estandarte de liberdade.
Quer ser amada.
A música se explode junto à ela em empolgação, semelhante, audaciosa, ofuscante.
Nada existe acima, nem ninguém.
O silêncio se instala.
Caminha em assobio e lentidão, se esparrama em um fôlego apenas.
Desprezível, guardada, invísivel ela é.
É o fim? A luz tomada de escuridão, não aquece.
Sem saber o que precisa, o que deseja, o que lhe agrada, o que não lhe cabe;
a admiração reclusa em eterna espera.
De que me serve o reluzente, se o existe apenas intocável, escondido, triste?



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