Porque deixam uma alma estrondosa guardada em caixinhas de porcelana?
Ela só precisa de um leve estímulo e a música começa a tocar.
As vezes cansa, às vezes se cansa, dança, cativa, encanta.
Lindamente revela-se num desabrochar único de perfeição.
É melodia, massiva, macia. Um número digno de palmas sem fim.
Tropeça sorrindo, feliz, carente, brilhante.
Lágrimas são segredos de presença revelada ao cair da noite,
cada gota, uma pérola; cada passo, um motivo.
Um leve estímulo e seu olhar transparece, derrama, enlouquece. Sua alma rodopia; cantiga e brisa.
Batidas descompassadas compõem a sinfonia estrelada pela gaiola que guarda seu rancor, grito, amor.
A pose, a posse, o reino.
Numa melodia inventada para própria soberania; largada inalcançável, adorada, desdenhosa; dançante. Salta virtuosa; de que me serve?
Se vai sem olhar para o que deixou, o que a deixou. O que deixamos?
A perfeição diante de cada cor, digna de uma imagem à altura.
Presa, fixa, espelhada. Um falso estandarte de liberdade.
Quer ser amada.
A música se explode junto à ela em empolgação, semelhante, audaciosa, ofuscante.
Nada existe acima, nem ninguém.
O silêncio se instala.
Caminha em assobio e lentidão, se esparrama em um fôlego apenas.
Desprezível, guardada, invísivel ela é.
É o fim? A luz tomada de escuridão, não aquece.
Sem saber o que precisa, o que deseja, o que lhe agrada, o que não lhe cabe;
a admiração reclusa em eterna espera.
De que me serve o reluzente, se o existe apenas intocável, escondido, triste?
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