domingo
Eu suplico, de verdade
Meu peito arde, minha garganta se fecha, meus olhos queimam, meu corpo estremece. E eu estou curvada porque não sei mais o que fazer.
Sinto culpa em poder dizer que sinto muito por algo que eu não tenha presenciado. Sei que não sou capaz de entender um pouco de todo tumulto na mente de um infeliz.
Oh Senhor, sei que não temos nos falado muito ultimamente e mesmo que tenha guardado mágoa da indiferença que tenho demonstrado à sua generosidade, peço que não ignore este meu pedido _ perdoe que meus olhos estejam cheios d'água.
Sei que existem pessoas que poderiam fazer diferente se tivessem a oportunidade, se não lhes faltasse tanto. Desculpe, seja lá o que tenhamos nos tornado aqui, foi por nossa conta, mas imploro sua intervenção. Não sei mais como virar o rosto para o chão em nome da minha sobrevivência. Peço perdão por não conseguir fazer algo a favor dos que não têm voz, peço perdão também por aqueles que não usam sua força para exclusivamente proteger os fracos e por não ter ensinado a quem podia o que eu podia. Por não saber como consolar quem sofre, cuidar de quem tem um coração doente, desculpe por não saber lidar com a seca, com a enchente, com a pobreza, com a morte, com a fome, a sede, a dor, o choro e as preces desesperadas. Desculpe por eu apenas sentir sem encostrar meio de intervir.
Há muito eu queria curar o mundo, mas não tenho mais tanta coragem e eu me culpo. Me culpo por ter deixado que se esfriassem minhas lágrimas, por ter adestrado minha revolta e por ter escolhido aquilo que fosse mais conveniente, conveniente pra mim. Me culpo por ter me tornado a personificação do egoísmo, por ter enraizado o mal que na verdade, sempre quis arrancar da humanidade.
Ás vezes acho que a fúria que consome a alma dos homens é irreparável. Nunca vi alguém que levante a mão em favor de algo que não seja a si mesmo, em um lugar que não seja os livros, e isto me enfraquece. Qualquer solidariedade parece tolice num mundo onde cada um vive só.
Senhor, só me empreste de novo aquela força, um pouco daquele incômodo que não me deixava descansar de noite se algo estivesse errado, aquele incômodo que não me deixava sorrir se não fosse pelo sorriso de outra pessoa.
Será que o Senhor se zangou por seus heróis terem sido tão corrompidos e tomados pelo medo?
Sei que não tenho muitas chances, quase nada, ao enfrentar este planeta feroz com minhas mãos, mas te peço um pouco de fé, um pouco da fé que ultimamente não tenho tido.
A inquietação na minha mente me perturba a ponto de eu preferir encarar toda a dor de braços abertos, do que abusar do peso de minhas pálpebras.
Só peço forças pra dar àqueles que sonham, tudo o que lhes falta para fazer diferente.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário