domingo
(...)
E a gente nem conversou muito, apenas deitei no ombro dele por um impulso descontrolado. Enlacei meus braços em seu pescoço e fechei os olhos sem pensar em mais nada. Com uma mão me segurou pela cintura e com a outra aninhou meu rosto, recostando-se em minha cabeça. As batidas do seu coração era tudo o que eu podia ouvir e minha respiração parecia tão calma, que apenas as leves lufadas de ar que eu soltava em seu ouvido, faziam da minha presença perceptível. A paz daquele abraço era tudo o que eu precisava, aquele momento restaurou toda a minha vontade de viver e era só pra continuar estando ali. Pra mim, esse foi o 'felizes pra sempre' que eu tanto esperei. Um vácuo de duvidas e medos. Um vazio de palavras seguro e confortável. E apenas a lembrança daqueles meus segundos eternos em seus braços, me traz a fé que eu trancafiara em algum lugar do peito. A fé de que um amanhã existe, e vai providenciar pra mim alguma morfina tão forte capaz de me levantar de manhã, sem fazer-me sentir tanta sede de ti.
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