Terminei um livro que me fez pensar sobre muitas coisas. Em geral, gosto e detesto quando isso acontece. Eles acabam roubando suas certezas e te expondo de uma forma nada agradável. Fiquei bastante vulnerável desta vez, pois me desnudei no meu pior aspecto, aquele que ainda não havia percebido que tinha. O egoísmo.
Nos ultimos anos feri tantas mentes e corações. Sempre sem querer, quase sempre sem perceber também...
Sou apaixonada pelas pessoas. Todas elas. Nunca sei o que representam pra mim de verdade, mas sei que têm um lugar exclusivo no meu peito - que parece infinito.
Sempre me esforçei para preservá-las comigo, mesmo que no fundo soubesse o quão penoso poderia ser pra elas. - Para alguns, até mortal. Mas talvez por inocência ou em função dessa paixão que me impulsiona, ignorava suas dores, queixas e seus respectivos caprichos enquanto impunha os meus. E sabia, tinha a certeza, que pelo amor que cultivavam a mim, jamais negariam.
Eu não sou uma pessoa má. Juro. Sou apenas fraca demais pra ver qualquer um partir e ao mesmo tempo, insegura demais, desconfiada demais, auto-suficiente demais - mesmo que com estranhos lapsos de pura carência - para me dedicar, exclusivamente, a alguém.
Dessa forma, sempre criei situações muito complicadas e dolorosas para as pessoas á minha volta. E fiz com que acreditassem - não consciente disto, tenho dito - que algo lhes faltava, quando na verdade, algo sempre faltou em mim. - É cruel. Eu sei.
Fui erguendo uma barreira incrivelmente palpável entre mim e qualquer possível envolvimento que exigisse mais do que eu estava disposta a oferecer. Portanto estive sempre preparada, sempre. E quanto aos outros, sempre desarmados, pegos de surpresa pela minha maléfica engenhosidade.
Julguei que assim me protegia e, não minto, ainda penso desta forma. Mas essa postura me trás tanta melancolia, tanta lamentação que este romance do qual vos falo, foi o estopim, para plantar em minha mente a possibilidade de que não ter corrido o risco de ter cicatrizes, talvez não tenha valido o preço. O que seria algumas marcas diante de tantas almas desacreditadas? O que seria uma pessoa tão rude destruída diante de tantos bons corações preservados?
Tenho medo, muito medo, de pensar na influência que tive no que essas pessoas se tornaram. Pessoas que eu tanto estimei, que me estimaram muitas vezes mais e eu não quis cuidar por egoísmo.
Me dói, mas não me arrependo. O egoísmo. Sei que pra mim foi o melhor, pois lamento, lamento muito, choro mas com o coração ainda inteiro.
Só queria ter a dignidade, a simplicidade de poder olhar sinceramente para eles e não me faltar coragem para dizer: ''Me desculpe por ter estragado a sua felicidade'' e meu olhar transmitir com ternura: ''Poderíamos ter sido muito felizes, pra sempre''. Queria deixar claro que a culpa foi minha, mesmo sabendo que apenas isso não é capaz de morfinizar a dor que causei, apenas me traria o perdão e o perdão é a ultima coisa que quero, pois essa melancolia é o que me lembra quem eu sou, e não quero nunca esquecer. Eis minha punição.
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